Fala galera… O nosso esporte tem crescido muito, e de modo especial, os grupos de ciclistas que costumam pedalar em conjunto. Muitos deles utilizam redes sociais como o Strava para registrar e compartilhar suas atividades entre colegas. Embora isso gere um grande volume de dados disponível na internet, ele não tem sido devidamente explorado. Neste artigo vamos conversar um pouco sobre este assunto, e como a computação pode auxiliar a movimentar o mercado do ciclismo em geral.

Como as redes sociais ajudam a movimentar o mercado?

Em todo o mundo, milhões de dólares são movimentados em negócios baseados em dados das redes sociais em geral como o Twitter, Facebook e Instagram. Para orientar as empresas na aplicação deste dinheiro, programas de computador coletam os dados públicos dessas redes e analisam o perfil dos usuários. Neste sentido, a Ciência da Computação tem desenvolvido algumas métricas e técnicas para a detecção de usuários influentes, também conhecidos por “Digital Influencers” ou “Influenciadores Digitais”. Por serem capazes de influenciar seus seguidores, esses usuários são estratégicos para receber patrocínio e produtos de diversas empresas para que possam ser testados e divulgados em suas redes. Esse processo de divulgação é também conhecido como “Marketing Boca a Boca”.

O Marketing Boca a Boca usa a busca por likes e compartilhamentos nas redes sociais de propósito geral, mas não temos observado este uso comercial nas redes sociais para esportistas.

Assim como existe a busca por likes e compartilhamentos nas redes sociais em geral, no mundo dos pedais, temos visto uma grande busca por reconhecimento entre os atletas amadores. Aposto que muitos de nós já tentaram se superar para conquistar uma posição na classificação de um seguimento ou pelo menos ouviu falar de uma disputa acirrada pelo número de QOM/KOM, não é verdade? Além disso, não são poucas as notícias sobre pessoas que sofreram acidentes em busca dessas premiações, ou que fizeram coisas inimagináveis em busca de recordes (outro dia ouvi uma reportagem sobre um atleta que pedalou uma maratona no quintal de casa, por exemplo). Outro indício dessa busca por reconhecimento são os próprios grupos de pedal no WhatsApp, que frequentemente apresentam listas semanais com os rankings de maiores distâncias e altimetrias percorridos por seus membros. Porém, não existem estudos analisando a influência nas redes sociais para esportistas. Assim, pode ser que as técnicas e métricas empregadas em outras redes não sejam genéricas o suficiente para serem usadas no contexto do esporte.

Será que o anseio por conquistas, KoMs e posições nos rankings reflete o nível de prestígio e influência que os atletas tem em suas comunidades?

Para tentar responder a esta questão, o laboratório CS-X do Departamento de Ciência da Computação da UFMG está realizando uma pesquisa na qual eles pretendem descobrir se os dados de atividades públicas de ciclismo disponíveis no Strava são capazes de determinar o nível de influência dos atletas amadores em seus grupos sociais. Para isso, eles coletaram os dados públicos disponíveis na rede social sobre as pedaladas de 32 milhões de ciclistas, ocorridas durante o ano de 2018. Com esses dados, empregaram duas técnicas computacionais já existentes para a detecção de comunidades, afim de determinar os possíveis grupos de usuários que costumam praticar atividades conjuntamente. O próximo passo é a investigação da eficácia das técnicas existentes para a descoberta dos usuários influentes nessas comunidades. Porém, primeiro é necessária uma base de dados que identifique quem são essas pessoas de fato.

Mas afinal, quem são os tais atletas influentes?

A influência é um conceito subjetivo, que depende do ponto de vista de cada pessoa. Entretanto, a reputação de cada pessoa em termos de influência pode ser considerada como o somatório das opiniões dos demais membros de cada grupo. É neste ponto que a nossa ajuda é fundamental, e para isso, eles desenvolveram um questionário online, disponível no site https://stravaufmg.azurewebsites.net. Ele foi feito como um aplicativo do Strava, o que permite que seus usuários se loguem na rede social, e conceda o acesso a seus dados públicos. Dessa forma, eles conseguem listar os demais atletas que estão em suas possíveis comunidades ou grupos sociais, e solicitar que os 5 mais influentes sejam selecionados. Em seguida, estes dados são salvos de modo totalmente anônimo, e poderão compor uma base de dados de atletas influentes em cada ciclo social.

Esta base de dados poderá então ser utilizada para verificar o desempenho de sistemas para a identificação dos atletas influentes, e com isso poderão surgir ferramentas computacionais para apoiar as empresas no processo de tomada de decisão sobre o marketing boca a boca de modo eficiente também no ciclismo. Espero ter colaborado com vocês ao passar um pouco de informação sobre como os nossos dados são disponibilizados nas redes sociais e como eles podem ser utilizados para movimentar a economia em marketing digital no ciclismo. Conto com a participação de vocês na pesquisa e até uma próxima oportunidade